28 de fevereiro: Dia mundial de combate a LER/DORT

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A partir do ano 2000, no último dia do mês de fevereiro, criou-se o Dia Internacional das Lesões por Esforços Repetitivos (LER), ou Distúrbios Ósteo Musculares Relacionados ao Trabalho (DORT). Pela primeira vez na historia, uma doença profissional (LER) passou a ser considerada como questão de saúde pública mundial. A Tendinite, Bursite e Síndrome do Túnel do Carpo são doenças profissionais altamente incapacitantes.

 

Tendinite

 

É a inflamação ou irritação de um tendão. Tendões são espessas cordas fibrosas que prendem os músculos aos ossos. Eles servem para transmitir a força de contração muscular necessária para mover um osso. A tendinite atinge, principalmente, o tendão dos músculos que servem o polegar e os primeiros dedos da mão. Eles atravessam o Túnel do Carpo, uma estrutura em forma de canal ou túnel existente ao nível do punho, formada por uma combinação de ligamentos, tendões e pequenos ossos chamados carpais. Quando esta estrutura torna-se irritada ou inflamada, comprime o nervo mediano, gerando um conjunto de sintomas que vão da dor à fraqueza na mão, denominado Síndrome do Túnel do Carpo.

 

Os sintomas, dependendo do estágio da doença, podem variar desde uma sensação de peso no membro afetado até dores insuportáveis, rigidez, inchaço local, depressão, atrofia dos dedos e invalidez. Se você trabalha longos períodos com o mouse do computador, já deve ter sentido o típico incomodo na mão, punho e antebraço. Cuidado! Podem ser os primeiros sintomas!

 

Bursites

 

É a inflamação ou irritação de uma bursa. A bursa é um pequeno saco localizado entre o osso e outras estruturas móveis, como músculos, pele ou tendões, e tem por finalidade permitir e facilitar um melhor deslizamento entre as estruturas. Comumente é causada por um trauma local ou excesso de uso” durante o trabalho ou um jogo, particularmente se o paciente tem um mau condicionamento físico, má postura ou usa o membro afetado em uma posição forçada e desajeitada.

 

A Tendinite, a Bursite e a Síndrome do Túnel do Carpo pertencem ao grupo das afecções conhecidas como Lesões por Esforços Repetitivos (L.E.R.), porque derivam da manutenção de postura inadequada e/ou uso repetitivo e/ou forçado de grupos musculares. Afetam os braços, ombros, pescoço, cotovelos, punhos, dedos, quadris, joelhos, tornozelos e pés. As L.E.R. constituem um grupo de doenças profissionais altamente incapacitantes, motivo porque vêm chamando a atenção de médicos e empregadores.

 

Prevenção

 

As medidas de prevenção recomendadas pelas autoridades de saúde incluem pausas para descanso, diminuição da sobrecarga muscular, diversificação das tarefas e adequação ergonômica do mobiliário, máquinas e ferramentas. O tratamento está baseado na causa em si. Repouso e posicionamento corretos durante atividades traumatizantes é importante para prevenir lesões reincidentes. O uso de talas de plástico na área afetada e a fisioterapia ajudam na melhoria da dor aguda e os antiinflamatórios ajudam no controle do processo inflamatório.

 

Pausas de descanso que propiciam não só entretenimento e alívio do stress, como exercício isométrico dos músculos, constituindo-se, assim, numa prevenção eficaz das L.E.R. Uma vez controlada a crise aguda, deve ser iniciado o trabalho de prevenção e correção da postura, principal fator que causa as inflamações. Melhorar a ergonomia e a qualidade muscular são fundamentais no sentido de prevenir novas lesões ou recorrência das antigas.

 

Os casos mais graves requerem, em geral, cirurgia mais a combinação de descanso, medicação, fisioterapia e terapia ocupacional, que tem alcançado grande taxa de sucesso nos casos menos graves.

 

Nós, profissionais de Prevenção da Saúde do Trabalhador, cobramos uma profunda e urgente mudança na cultura de nossa sociedade, empresários, INSS, o próprio Estado, como empregador, para que, como países civilizados que pretendemos ser, possamos dar todo o apoio aos já portadores de LER, facilitando seu tratamento e investindo em sua readaptação, conforme o caso, mas, principalmente, investir na prevenção, para não continuarmos a perder nossos trabalhadores em plena capacidade, para um mal que vem destruindo corpos, mentes, famílias, sociedade, Nação.”

 

Fonte: Site da UGT Nacional

 

28 de fevereiro: Dia Internacional de Prevenção às LER/DORT

 

Publicado por Ministério Público do Trabalho

 

Uma questão de saúde pública mundial. Assim são consideradas as Lesões por Esforço Repetitivo (LER) ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT), doenças profissionais que acometem trabalhadores de diversos setores em todo o mundo. Há registros de epidemias na Inglaterra, países escandinavos, Japão, Estados Unidos, Austrália e Brasil. Conscientizar empregados, patrões e a população em geral sobre a importância da prevenção, diagnóstico e tratamento é o remédio mais eficiente para acabar com esta doença. Portanto, desde 2000, o último dia do mês de fevereiro é lembrado em vários países como o Dia Internacional de Conscientização sobre as LER/Dort.

 

De acordo com os dados publicados pelo Ministério da Previdência Social, em 2006, o Brasil registrou 503.890 acidentes e doenças do trabalho, dentre estes 26.645 foram doenças ocupacionais. Parte destes acidentes e doenças tiveram como conseqüência o afastamento das atividades de 440.124 trabalhadores devido à incapacidade temporária (303.902 até 15 dias e 136.222 com tempo de afastamento superior a 15 dias), 8.383 trabalhadores por incapacidade permanente, e o óbito de 2.717 cidadãos. Os números, que já são alarmantes, podem ser ainda maiores, considerando que os dados publicados têm por base informações coletadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) por meio da Comunicação de Acidentes de Trabalho (CAT), que deve ser preenchida pela empresa, mas há algumas que não notificam os acidentes. Além disso, não são registrados os acidentes e doenças dos trabalhadores informais e as empregadas domésticas.

 

Algumas das categorias profissionais mais atingidas são os bancários e trabalhadores dos setores de comércios e serviços, principalmente os caixas de supermercados e de bancos. Supermercados, empresas têxteis e de confecções, e instituições bancárias lideram os casos de LER/DORT investigados pela Procuradoria Regional do Trabalho da 21ª Região (PRT-21/RN). Metalúrgicos, digitadores, operadores de linha de montagem, operadores de telemarketing, jornalistas, secretárias, entre outros, também são alguns dos profissionais que encabeçam as estatísticas.

 

Dentre as doenças que são classificadas como LER/DORT, segundo o Ministério da Saúde, existem: tenossinovites, tendinites, epicondilites, bursites, miosites ou síndrome mofascial, síndrome do túnel do carpo, síndrome cervicobraquial, síndrome desfiladeiro torácico, síndrome do ombro doloroso, doença de quervain, cisto sinovial. As tendinites e Tenossinovites são as mais conhecidas, sendo que sua incidência maior está nos membros superiores, particularmente nos punhos.

 

Dependendo do estágio de adiantamento da doença, a LER/DORT pode ser praticamente irreversível. Em outras palavras, a pessoa fica incapacitada para o resto da vida, o que tem chamado a atenção da área da saúde por ser uma enfermidade altamente incapacitante. Outro fator preocupante é que essas doenças provocam a ausência do empregado, ações indenizatórias, tratamentos médicos e substituição do empregado, onerando a Previdência Social e prejudicando a economia do país, à medida em que provocam enorme impacto sobre a saúde pública no Brasil.

 

Para se ter uma noção da relevância do tema saúde e segurança ocupacional, basta observar que, no Brasil, ocorre cerca de 1 morte a cada 3 horas, e, ainda, cerca de 14 acidentes a cada 15 minutos na jornada diária, decorrentes dos fatores ambientais do trabalho.

 

Daí, segundo informações do Ministério da Previdência Social, ao analisar o pagamento, pelo INSS, dos benefícios devido a acidentes e doenças do trabalho, somado ao pagamento das aposentadorias especiais decorrentes das condições ambientais do trabalho chega-se a um valor superior a R$ 10,7 bilhões/ano. E acrescendo despesas como o custo operacional do INSS mais as despesas na área da saúde e afins, o custo, para o país, atinge valor superior a R$ 42 bilhões.

 

Um instrumento adotado pela Previdência em 2007 provocou uma mudança considerável no perfil da concessão de auxílios-doença de natureza acidentária: o Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário (NTEP), que aponta a existência de relação entre a lesão ou agravo e a atividade desenvolvida pelo trabalhador. Com a implementação do NTEP, o segurado não tem de provar que adquiriu a doença no trabalho, quem o nexo causal é a Perícia Médica do INSS, quando o trabalhador pede auxílio-doença. Cabe à empresa, se for o caso, provar o contrário, ou seja, o ônus da prova não pertence mais ao empregado e sim ao empregador.

 

As lesões ou distúrbios ocupacionais são quase sempre previsíveis e, mesmo assim, ainda cresce o número de casos. Qualquer movimento repetitivo, má postura, falta de otimização das condições de trabalho, baixo condicionamento físico e trabalho ininterrupto com jornadas excessivas pode colocar os trabalhadores sob o risco da LER/DORT.

 

A adoção de medidas de prevenção da LER/DORT ainda é vista como sinônimo de gastos por muitas empresas que mantêm ambientes e rotinas inadequadas à saúde dos empregados. Mas o trabalho de prevenção não se pauta somente na utilização de mesas e cadeiras ergonômicas e descanso para os pés. Tem que haver a conscientização de que não há custos, e sim investimentos que garantem o retorno de um empregado saudável e produtivo, desde que este receba uma orientação assistida no uso do mobiliário, sem pressão de chefia para manter um ritmo de trabalho acelerado. Aliado a um adequado meio ambiente de trabalho, a ginástica laboral também é uma forte aliada no combate à doença.

 

A falta de informação, tanto do empregador como do trabalhador, ainda é um forte obstáculo contra a prevenção da LER/DORT. De um lado, a falta de investimento em melhores condições de trabalho, e do outro, o medo de perder o emprego, muitas vezes ocultando a dor até chegar à incapacidade laboral.

 

Os casos de acidentes e doenças do trabalho, pelo número e gravidade das ocorrências, evidenciam a necessidade de continuar o trabalho de prevenção para evitar as consequências negativas para o trabalhador e para a sociedade.

 

Fonte: Site do Ministério Público do Trabalho

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