II Conferência Nacional de Gênero e Raça da UGT

 

Raízes da cultura africana encerram a Conferência de Gênero e Raça da UGT, mostrando que a mulher é forte e tem seu valor

Raízes da cultura africana encerram a Conferência de Gênero e Raça da UGT, mostrando que a mulher é forte e tem seu valor

 

Na última quinta-feira, 27/03, chegou ao fim a “II Conferência Nacional de Gênero e Raça da UGT”, realizada no Hotel Terras Altas, em Itapecerica da Serra, SP. Foi traçado um Planejamento Estratégico para as Secretarias da Mulher e Diversidade Humana da central, construído junto aos avanços e resoluções da I Conferência e levantados os desafios a enfrentar. Entre os assuntos destacados, a proposta de criar as Secretarias Nacionais de LGBT e do Trabalhador e Trabalhadora Domésticos.

 

Em yorubá (dialeto africano), foi mostrado que é a mulher quem gera a vida aos seres humanos, ressaltando que ela é a inteligência da Terra e que sem a mulher o homem não é completo. Portanto, a mulher é capaz de reconquistar sua liderança em todos os espaços que ocupar e sua presença, seja no trabalho ou em casa, é muito importante.

 

Do resultado dos dois dias de debates e unindo o que já vinha da Conferência passada, os participantes se reuniram para levantar ações que seriam adequadas implantar à base sindical de cada um, para garantir a autonomia econômica, política e sindical; o que fazer para enfrentar as formas de violência contra as mulheres e de discriminação contra os negros e LGBT. A partir dessas atividades foram consolidadas propostas gerais, regionais e locais.

 

A questão da violência à mulher e a necessidade de atentar à questão da raça negra conquistou avanços na Conferência. Cássia Bufelli explica que este documento com propostas levantadas na Conferência será encaminhado aos presidentes das UGTs Estaduais, para que possam, em Assembleia, criar uma proposta geral da UGT, que seja votada no 3o Congresso da central, para colaborar com políticas públicas e ações privadas.

 

São diversas as causas que a UGT poderia engajar no governo e incentivar as instituições privadas. Para Cássia, é preciso pensar as políticas de estado e se fazer além de campanhas nacionais, audiências públicas.

 

Como exemplos: o vagão rosa nos trens e metrôs para acabar com o constrangimento e violência às mulheres que são assediadas no trajeto casa-trabalho e cada empresa colocar em seus programas a construção de creches, como forma de adequar o horário da mãe trabalhadora e possibilitar à mulher conquistar cargos de representatividade e não exerça apenas profissões secundárias.

 

Um movimento sindical mais atuante – junto aos trabalhadores, no mercado de trabalho e escolas -, com material de apoio, atenção ao trabalho informal, grupo de trabalho voltado para as domésticas, igualdade salarial e políticas reparatórias – as centrais fomentarem política púbica com relação a questão de superação de raça, sexual e gênero foram itens de destaque das atividades, que terão andamento.

 

Esteve presente Cristina Rezende, representando Netinho De Paula, da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial. “Aqui temos varias lutas, a das mulheres, mulheres negras e trabalhadores e trabalhadoras, uma força que impulsiona a vontade trabalhar em prol da nossa raça e pessoas que estão na periferia. Diante das nossas conquistas, não podemos só nos regozijar e continuar lutando. Temos que resgatar as questão de família, onde podemos começar a acabar com a situação que nos deparamos hoje. E em nome do Movimento Negro e da Secretaria de Promoção da Igualdade racial, a nossa luta é muito importante e tem muito a caminhar”, finaliza.

 

Fonte: Mariana Veltri – imprensa UGT / Fotos: FH Mendes

 

Arte, Sensibilidade e Luta marcaram início da Conferência de Gênero e Raça da UGT, dia 25 de março

 

Cerca de 150 pessoas, de norte a sul do Brasil, estiveram reunidas na noite de 25 de março para a abertura da “II Conferência Nacional de Gênero e Raça da UGT”, promovida pela Secretaria da Mulher e Secretaria da Diversidade Humana da União Geral dos Trabalhadores. O evento, que aconteceu até o dia 27/03, no Hotel Terras Altas, em Itapecerica da Serra, em São Paulo, teve como objetivo incorporar a luta de gênero e raça nas diversas secretarias da UGT. A meta é transversalizar os temas e avançar nas bandeiras de luta da classe trabalhadora e da sociedade.

 

Com a proposta de fazer um balanço das conquistas obtidas desde a I Conferência, representantes da classe trabalhadora traçaram estratégias para a aplicação de políticas afirmativas de gênero e raça, buscando a conscientização de mulheres e homens dirigentes sindicais na luta pelo Fim de Todas as Formas de Violência contra a Mulher; pela Autonomia Econômica, Política e Sindical; e Combater a Discriminação da Mulher Negra no Mundo do Trabalho.

 

Na mesa de abertura estiveram presentes as coordenadoras Cássia Bufelli, secretária nacional da Mulher e Ana Cristina dos Santos Duarte, secretária nacional da diversidade Humana, ambas da UGT. O secretário adjunto de Relações Internacionais da UGT Wagner José de Souza, Mônica Mata Roma, também secretária adjunta da pasta de Relações Internacionais, o secretário geral da UGT, Canindé Pegado, além de Neuza Tito, secretária adjunta de Políticas do Trabalho e Autonomia Econômica das Mulheres da Presidência da República (SPM) e Maria Cristina Corral, coordenadora de Autonomia Econômica das Mulheres, da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres da Cidade de SP.

 

A nossa sociedade precisa extinguir esta chaga. E quem tem que combater somos nós sindicalistas”. Neuza Tito, que veio representando a ministra de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci de Oliveira, mostrou que essa ação da UGT tem papel central de fazer com que as políticas sejam implementadas e fazer valer para homens e mulheres. “Estamos ora nos movimentos sociais ora no governo ocupando outro papel, mas cabe a nós, homens e mulheres, construir um mundo de igualdade. Ações que demonstram a clareza na luta por igualdade, contra qualquer forma de preconceito”, enfatiza.

 

Para Mônica Mata Roma, essa II Conferência está dando a conotação do que e o movimento sindical: ator político, não só reivindicatório. “A UGT hoje avança 100 por cento nessa discussão de gênero e raça. Foi com a atuação dela na I Conferência que podemos mostrar que temos um documento, que nos dê uma representatividade”, ressalta ao lembrar da situação ainda das condições subumanas de mulheres da Índia e África, por exemplo. “Vemos o Temos que ser propositivos”, defende.

 

Segundo Maria Cristina Corral, pesquisa Dieese aponta que 5% dos cargos eletivos são de mulheres e o grande desafio é construir políticas de estado e não só de governo. “Há uma grande perspectiva de crescimento e oportunidade para que tenhamos pessoas envolvidas na política, é preciso levar essa luta e preocupação para todos os espaços. E vamos construir juntos, porque são vocês que estão no chão da fábrica, no comércio, e podem trazer junto para o governo. Assim, ocupar o lugar que é de vocês,” lembra.

 

Na esteira da porcentagem numérica, Canindé Pegado atenta que a mulher vai além de um dado estatístico e demonstra sua força e importância através de seus avanços na história. Da violência contra a mulher à luta pelo direito ao voto, Pegado destacou as primeiras mulheres a ocuparem um cargo político ou que enfrentaram uma sociedade até então sem direitos e suas conquistas. “Eu diria que para a UGT, o que é importante é que somos movidos a desafios. Tudo o que vem, estamos dispostos a enfrentar.

 

“Dentro de todos esses desafios, talvez a luta maior seja a igualdade de oportunidades e o enfrentamento dessas questões relacionadas à violência, que apesar da legislação existente, ainda vemos e ouvimos denúncias e mais denúncias sobre a questão da discriminação racial, seja no comércio, aonde for. Vamos nos desafiar e encontrar a resposta necessária, e levar para a frente as propostas defendidas nos Congressos da UGT”.

 

A ONU está na construção de um documento, no qual a UGT, quanto movimento sindical está se debruçando para traçar suas políticas nos seus estados e sindicatos filiados, com o destaque para a diversidade. Ana Cristina destaca a PEC dos Afrodescendentes aprovada em dezembro de 2013 pela ONU e que será implementada em janeiro de 2015, assim como a entrega pelo Sepir, nesta terça-feira (25), na Comissão de Constituição e Justiça, o PL das cotas no serviço público. Causa abraçada pelo vice-presidente da UGT e deputado federal, Roberto Santiago, que conseguiu que fosse aprovada na Câmara.

 

Cássia Bufelli destacou a importância da participação do movimento das mulheres nesses espaços de diálogos sociais e assumir essa bandeira de luta e defender a identidade da UGT. “Vamos transversalizar e unir forças em todas as formas de discriminação, e não só gênero e raça. Como vamos efetivar nossas políticas: o que avançamos, quais espaços conquistar?”, abrange. Para Bufelli, as políticas devem ser construídas olho no olho. “Esse papel de protagonista, de sujeito da nossa história, cabe a nós”, finaliza.

 

Fonte: Mariana Veltri – imprensa UGT / Fotos: FH Mendes

Tel.: 73 3291.2849
Rua Mauá, 54 - Teixeira de Freitas - Bahia
sindectf@uol.com.br