O Natal de Zulmira – entre outras reflexões

“Natal sem fome”. A campanha é gigantesca na TV. As chamadas “Celebridades” se prestam a um serviço de cunho e propaganda comercial. Querem trabalhar a ideia que todos devam comer no dia 25 de dezembro: bela encenação filantrópica de uma elite abastada, capaz de determinar o dia em que “todos” possam comer. E ridícula comiseração de uma classe num país repleto de riquezas naturais, com uma imensidão de terras agricultáveis e uma das maiores produções de alimentos do mundo; mas… um país que, devido a ação da riqueza concentrada da mesma elite abastada, impõe misérias, mantendo milhões de pessoas passando fome.

 

O capital e seus defensores não têm responsabilidade social, nem sensibilidade, não tem a mínima preocupação com os milhões de famintos do país… apesar desse capital agregar para si – numa usurpação hedionda incalculável, através das cercas, das canalizações, das concentrações – bens naturais que seriam de  todos como a terra, a água e – pasmem! – até, já, o ar!

 

O capital só produz para especulação. Por isso ele definiu que o momento de “comer” para uma parcela da população é de um dia, apenas, no ano. Essa é sua total e irrefutável fraternidade.

 

Mas… todos os dias nascem seres. Ana, Beatriz, Chiquinho… todo dia é dia de natal. É preciso, portanto, instituir o ano sem fome, a década sem fome, o século sem fome, o mundo sem fome! E é possível, isso, se a humanidade colocar a vida em primeiro plano.

 

Doraci, Eliana, Juca… nascemos todos os dias. Laura nasceu num dia qualquer de janeiro, ou de março, ou de agosto; poderia ser em novembro; ela nasceu num dia desses, qualquer, num natal. Qualquer dia é natal. E Laura precisa comer todos os dias! E também Mariana, Rita, Severino, Urias… e Zulmira!

 

*(Texto apresentado no editorial do Informativo dos Comerciários número 70,  de dezembro de 2008.

E reapresentado agora, pela sua “flagrante atualidade” )

 

Crueldade irônica no planeta capitalista: os países ricos gastam 70 bilhões de dólares por ano para tratamento dos obesos… enquanto a fome continua avassaladora, em larga escala pelo mundo afora, matando pessoas. Precisa-se de apenas 33 bilhões de dólares anuais para extinguir a fome no mundo. Não tem!

 

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